Crônica: Bar do Parque, quanta saudade invade o espaço interior...


Gostaria que fosse rotina, sentar-me ali durante o sol escaldante de Belém do Grão Pará, nem que fosse por poucos minutos, ir ao Bar do Parque todos os dias faria de mim um sujeito mais feliz. A sombra das mangueiras, que diminuem a sensação térmica enquanto o sol brilha intensamente, o vento agradável no meio da cidade, os vendedores de artesanato que quase sempre convido para tomar um copo de cerveja comigo, as histórias que me fazem viajar sem sair daquela desconfortável cadeira. É Loyola Brandão, Belém convida a se abandonar¹ – facilmente esqueço dos perigos, entro em um estado de espírito novo, como se estivesse vendo a cidade pela primeira vez –, tenho a minha mesa favorita no bar, sem motivo, fico chateado quando a mesma não está disponível, mas isso não me impede de parar e tomar uma cerveja quente ali.

Porra maluco, vamô dar uma força no meu trabalho!? – É raro não ser incomodado por vendedores e pedintes, alguns educados e outros nem tanto, o que me faz bem ali é conversar com pessoas que nunca mais verei novamente. Sento ali e o tédio rapidamente some, sinto-me com vida enquanto pessoas mortas circulam em seu carro. Foi ali que conversei com uma moça chorosa, que esperava por alguém. Li as cartas para um casal em troca de companhia. Dei um beijo inesquecível em Tayanne. Gastei dinheiro comprando artesanatos de um hippie e o mesmo usou o dinheiro para pagar cervejas enquanto conversava comigo.

Aquela arquitetura art nouveau me faz crer que a boêmia está ali, no Bar do Parque, a casa eterna de Ruy Barata, como eu gostaria de viver ali no tempo do poeta, assim como ele não cantar Copacabana².

Sempre que posso estou ali, na mesma cadeira, por horas, na expectativa de que a qualquer momento vou conhecer alguém, conversar, ler tarot, fazer uma caricatura, quem sabe, criar uma grande amizade. Caso encontre-me por ali se achegue sem fuleiragem, lhe pago uma cerveja, como já fiz para tantos outros.

Arthur Amaral, Acadêmico de Jornalismo

¹ Referencia a Crônica Quase Concreta de Ignácio de Loyola Brandão
² Referencia a Tronco Submerso de Paulo André e Rui Barata

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